Em meados de 2009, a internet divulgava notícias que, em 2010, o Brasil teria a sua edição do Woodstock. Sim, o festival se chamaria Woodstock e prometia o line-up mais arrebatador da face da terra. Óbvio que o burburinho foi grande.

Mas para tristeza momentânea de muitos, foi anunciado no lugar o SWU – Starts With You. Em forma de festival, SWU foi um movimento de sustentabilidade atrelado à música criado pelo publicitário Eduardo Fischer.

Mas a tristeza foi dando lugar a imensa felicidade do público conforme o line-up era anunciado. Bandas como Incubus, The Mars Volta, Kings of Leon, Linkin Park, Los Hermanos, Queens of the Stone Age e muitas outras eram anunciadas.

Mas a cereja do bolo foi o anuncio do Rage Against the Machine, primeira (e única) vez da banda no país. Foi o ápice da empolgação do público que, neste momento, já nem lembrava mais que fora anunciado como Woodstock.

 

AS ATRAÇÕES (NÃO OS SHOWS)

Mesmo que o Rock in Rio tenha dado o pontapé inicial de grandes festivais no país, foi o SWU que iniciou esta pegada festival na nova era digital, mesmo que ainda sem Whatsapp e Instagram na época.

Voltado para sustentabilidade, a grande atração do festival era uma roda gigante movida a base de energia gerada por bicicletas quando pedaladas. A fila era imensa.

Havia espaços para debates com diversas personalidades nacionais e internacionais. Exposições e obras de arte espalhadas por todo o espaço. Fora as diversas tendas para o público interagir e sair um pouco da muvuca dos shows.

 

OS SHOWS / LINE-UP

 

Diferente dos festivais que o sucederam, o SWU não entrou na linha mais pop / funk / black que dominou os palcos do Lollapalooza no Brasil, e se manteve numa linha mais alternativa entre as vertentes do rock, rap e eletrônico, bem no estilo dos primórdios do Lollapalooza dos EUA, nos anos 90.

Um dos erros do festival, e também de praticamente todos os shows de uns bons anos pra cá, foi a maldita PISTA VIP, algo que deveria ser extinto até mesmo de locais menores e fechados. Quem esteve presente sabe a confusão que gerou no show do Rage Against e, ainda bem, que nada de trágico aconteceu.

Com exceção do Pixies, que fez um show bem medíocre e que parecia que não queria estar ali (salvo a lendária e maravilhosa Kim Deal), todos os artistas realmente sentirem a vibe do festival e entregaram performances maravilhosas e enérgicas. Era visível que estavam amando estar ali. Foi além do profissional. Foram 3 noites mágicas para o público e para os artistas.

 

OS MELHORES

RAGE AGAINST THE MACHINE

Quando se fala de SWU se fala do show do Rage Against. Não tem como não exaltar a performance dos caras. Além de ser a primeira vez deles no Brasa, a banda havia voltado depois de alguns anos de hiato e tinha feito poucos shows antes deste. No português claro, foi um show foda pra c$%#@%!

 

INFECTIOUS GROOVES

Uma das maiores injustiças do festival de não ter o show transmitido na TV. Quem conhece o Infectious Grooves (ou o Suicidal Tendencies), sabem que de performance nos palcos os caras manjam e muito. Com diversos clássicos, o lendário Mike Muir, ao final do show, chamou uma galera pra subir no palco.

 

QUEENS OF THE STONE AGE

Para muitos, o Queens iria fazer um show mediano. Afinal, a passagem anterior da banda por aqui não terminou muito bem, já que o antigo baixista Nick Oliveri ficou peladão no Rock in Rio de 2001. Mas para surpresa geral, a banda entregou um show recheado de clássicos e mostrou que passado é passado.

 

JOSS STONE

Uma das surpresas mais agradáveis do festival. Indo na contra mão das bandas mais agitadas, a britânica Joss Stone fez história com um maravilhoso show que encantou a todos os presentes. Uma das atrações principais da segunda noite do festival, Joss fez o público esquecer o frio com sua poderosa voz.

 

OTTO

O pernambucano Otto mostrou porque é tão reconhecido musicalmente, já que sua apresentação fez muitos esquecerem os palcos principais e lotou o Palco Oi. O ruivo cantou, mostrou a barriga e dançou muito numa apresentação que merecia, de longe, estar nos principais palcos do festival.

LOS HERMANOS

Após terem parado por quase 3 anos, o Los Heramos retornou no SWU para um show memorável. Com diversos clássicos de toda a carreira, a banda emocionou o público e mostrou porque é uma das mais importantes da música brasileira.

 

CAVALERA’S CONSPIRACY

Outro injustiçado que não teve seu show transmitido na TV. Pela primeira vez no Brasil (como Cavalera’s Conspiracy, óbvio), a banda dos irmãos Cavalera mostrou que o talento vai muito além do Sepultura e, também, porque são tão amados no mundo do metal.

 

Com apenas duas edições, em 2010 e 2011, o festival foi, com certeza, um dos maiores do Brasil. Com todo respeito ao Lollapalooza e o extinto Planeta Terra, mas com toda certeza, nenhum ficou tão marcado na história como o SWU!