Um tipo de filme que atrai o amante da boa música é aquela produção que fala, obviamente, de música. Seja um filme biográfico, como The Doors, ou sobre um rockeiro que entra numa banda famosa, como Rock Star, sobre a cena dos anos 70, como Quase Famosos, sobre novos talentos, como Mesmo Se Nada Der Certo, entre muitos outros que fazem você pensar seriamente em retomar aquela banda que você não continuou na adolescência.

E hoje no Filme Estranho Pra Gente Esquisita, vamos falar da mais recente produção “musical” que estreou este mês nos cinemas, o drama indie Frank.

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Dirigido pelo irlandês Lenny Abrahamson, Frank conta a história de Jon, um jovem que larga o seu emprego para tocar teclado em uma banda que ele conhece há pouco tempo. O que intriga o jovem é o fato de o vocalista, Frank – interpretado pelo sempre talentoso Michael Fassbender, usar uma cabeça gigante de papel machê o tempo todo, impossibilitando todos de verem o seu rosto.

Se a premissa já não apresentasse a cabeça de papel machê, Frank pareceria um normal filme sobre um grupo musical que busca crescer fazendo a sua música. Mas as esquisitices do filme não acabam por aí.

Começando pela inusitada maneira que Jon entra na banda, onde ele presencia o antigo tecladista tentando se suicidar no mar e é convidado prontamente pelo empresário do grupo, que também observava a tentativa de suicídio do antigo companheiro.

Partindo para a banda, que tem o impronunciável nome Soronprfbs e é formada pelos estranhos e peculiares integrantes com personalidades no mínimo curiosas; Clara – interpretada com maestria por Maggie Gyllenhaal, que possui certas tendências assassinas, Baraque e Nana, guitarrista e baterista franceses que só se comunicam em seu idioma e não são nada amistosos, o empresário Don, que tem fetiches sexuais por manequins e o personagem título Frank, o vocalista que não se contentará enquanto não buscar a perfeição e a aceitação do grande público.

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O filme, que é considerado uma comédia alternativa, consegue passar alguns momentos de agonia ao público, como o fato de eles não conseguirem tocar praticamente nenhuma música durante o filme inteiro, o fato de que a maioria dos integrantes não querem Jon no grupo e tentam fazê-lo voltar pra casa de qualquer maneira, a luta entre Clara e Jon para agradar e proteger Frank, considerado por todos como um “deus” por conta de seu talento e, por fim, a agonia de o único lúcido do grupo atrapalhar a jornada dos loucos, em busca de algo que nem eles sabem.

O ápice do filme, se é que podemos chamar de ápice, é quando o grupo finalmente é convidado a tocar em um grande festival, onde Frank fica em êxtase devido a popularidade do grupo no Youtube, postado secretamente por Jon e Clara contrariada, tanto por ter reconhecimento do público quanto por Jon expor a banda na internet. Ou seja, é neste momento em que, definitivamente, não sabemos qual o real objetivo da banda. Ou sabemos?

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Vale ressaltar que o filme foi baseado na vida de Chris Sievey, que tocou na banda The Freshies e usava a máscara do personagem Frank Sidebottom.

Frank é um filme que merece ser visto com certo cuidado, já que não se trata de uma película comum onde a banda busca o seu lugar ao sol, lidando com percalços no caminho, mas sim, fala sobre um diferente auto conhecimento sobre pessoas que nunca irão se conhecer.

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