Um dos cineastas fundamentais do nosso cinema, Humberto Mauro teve seus anos de formação esmiuçados por Paulo Emílio Sales Gomes no clássico Humberto Mauro, Cataguases, Cinearte (Editora Perspectiva, 1974). Como parte da programação comemorativa 100 Paulo Emílio, a Cinemateca apresenta o Ciclo Humberto Mauro, com oito dos seus longas-metragens preservados, como “O Descobrimento do Brasil” e “Lábios Sem Beijo”, raridades como os curtas-metragens produzidos para o INCE – Instituto Nacional de Cinema Educativo, além de uma sessão especial de “Braza Dormida”. O filme de 1928 foi restaurado pela Cinemateca Brasileira seguindo o método Desmet Colour e sua exibição terá acompanhamento musical da Orquestra Paulistana de Viola Caipira.

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A revitalização do cineasta foi gestada por Paulo Emilio nos anos 1950. Tal ação afirmativa reconhecia a aplicação de muito do que era visto no cinema mundial em obras brasileiras, na cinematografia de Mauro. Não se sabe se foi em decorrência de Paulo Emílio ou somente percepções concomitantes, contudo foi em Humberto Mauro que o Cinema Novo encontrou sua raiz.

A necessidade de Paulo Emílio em compreender Humberto Mauro e sua obra configura-se de maneira similar à do cineasta em procurar as maneiras possíveis para um cinema brasileiro, de linguagem e expressão próprias. Ver – e rever – o cinema de Mauro é essencial para compreender o cinema brasileiro.
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