E realmente o ano de 2014 está se mostrando fatal. Desta vez, a vítima foi Roberto Gómez Bolaños, criador e intérprete dos personagens Chaves, Chapolin Colorado, Dr. Chapatin, Dom Caveira e Chompiras, que faleceu aos 85 anos na última sexta-feira, 28 de novembro de 2014. Como esperado, a repercussão na internet foi enorme e, desde o acontecido, está nos trending topics do Twitter.

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Logicamente, milhares lamentaram o acontecido prestando diversos tipos de homenagem, como alterar a foto de perfil do Facebook para de algum personagem, famosos tweetando, programação especial em algumas emissoras, memes etc. E como há quem goste, há quem não goste.

Não foi surpresa que algumas pessoas foram indiferentes com a morte de Bolaños e comentários como “Chaves nem era tão bom assim.” ou “Eu não gostava mesmo.” surgissem. Teve até a atriz Paula Braun (???) questionando se as pessoas não estavam exagerando sobre o “hype” todo sobre o acontecimento. Mas até aí, sem grandes problemas. Afinal, ninguém é obrigado a gostar do seriado.

Nhono, Chaves, Prof Girafales, Chiquinha, Seu Madruga e Dona Clotilde

O que doeu mesmo foi ler que o seriado era machista, que o programa e as ideias eram fracas e chamar as pessoas que gostavam do seriado de ignorantes. Eu até poderia entrar no mérito moral destas alegações, mas não vale a pena e entraria em uma discussão sem fim. ([infeliz] resenha por Sylvia Colombo – repórter da Folha)

Bolaños não foi nenhum santo e já protagonizou situações que são de se questionar se era ele mesmo por trás da inocência e pureza do seriado Chaves. Cito como exemplo as brigas judiciais com Carlos Villagrán (Kiko) e Maria Antonieta de Las Nieves (Chiquinha) pelos direitos autorais dos personagens, na qual a última delas provocou um infarto em Maria Antonieta.

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Que atire a primeira pedra quem nunca teve pensamentos e intenções maldosas na vida!

Realmente, as brigas na justiça contribuíram para uma imagem negativa de Bolaños, mas nem se comparam ao infinito bem que o programa fez a milhares de crianças e adultos. Chaves e Chapolin Colorado nunca precisaram apelar para palavrões e nudez, o humor era de uma inocência e pureza que hoje seria facilmente desprezada pelo público, retratavam sutilmente uma crítica social à guerra de classes, a simplicidade da infância e, principalmente, o poder da amizade.

Além de todos os motivos citados acima, o programa é transmitido há 30 anos no SBT, o lançamento do DVD nos EUA, em 2003, vendeu mais de 500 mil cópias (recorde de vendas de um produto hispânico), os atores do seriado fazem shows solos sempre com a casa lotada, os atores esbanjam simpatia e, principalmente, as mesmas piadas que já sabemos de cor e salteado ainda nos fazem rir, mesmo depois de anos.

Respondendo a pergunta da atriz Paula Braun, não, não é nenhum exagero esta comoção toda pela morte de Roberto Gómez Bolaños. A morte de Bolaños e futuramente de todos os personagens do Chaves, devem ser eternamente lembradas e homenageadas, assim como Charlie Chaplin, Grande Otelo, Mazzaroppi, Mussum, Zacarias, Chico Anysio, Ronald Golias, Dercy Gonçalves, Oliver Hardy e Stan Laurel (Gordo e o Magro), Costinha, entre muitos outros.

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E para terminar, os comentários  nas redes sociais dos que não gostavam do seriado, mostram o quanto as pessoas querem apenas chamar atenção com a discórdia e mostram também, o desrespeito com a perda de uma pessoa que alegrou milhares e deixou um legado incomparável.

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Boa noite, meus amigos!